




Apresentação
No meu dia-a-dia em Iramaia, cidade tão querida que escolhi para morar, e em minhas andanças por toda a Chapada, percebi que as pessoas daqui ao visitarem outras regiões tinha orgulho de dizer “Eu também sou da Chapada”. No entanto, muitos nativos, quando questionados sobre algum ponto turístico, diziam não conhecê-lo.
Por este motivo, decidi fazer uma exposição fotográfica itinerante para apresentar aos moradores da Chapada, as belezas que circundam suas casas, e assim, estimular o seu interesse de conhecer os atrativos naturais que atraem tanto o mundo inteiro e que, para nós, estão disponíveis a um baixo custo.
Esta exposição fotográfica foi produzida com muito carinho e as cidades foram escolhidas pela distribuição geográfica, pois meu objetivo é prestigiar toda região. Só foi possível chegar a tantos lugares maravilhosos graças aos guias que me acompanharam, proporcionando o suporte necessário.
Quanto ao meu currículo... Ele está inscrito nos retratos que faço da natureza!
Rui Rezende.
O retratista e a Chapada
Certa vez, no alto de uma linda cachoeira, eu observava um jovem franzino que destemidamente se precipitava a meio corpo sobre o abismo, com uma grande máquina fotográfica a tiracolo, completamente absorto no objetivo de conseguir um ângulo diferente para a sua foto. Seu empenho chamava a atenção de todos ali, e logo o rapaz teve o cuidado de tranqüilizar as pessoas, com muito bom humor. De fato, passava muita segurança no que fazia e dizia, e de maneira simpática e espontânea nos ofertou uma aula sobre fotografia. Seu nome era Rui Rezende, estava fotografando para uma série de cartões telefônicos da Telemar e convidou todos para sua exposição em um grande Shopping de Salvador. Depois quis ver minha barraca, saber sobre detalhes técnicos e equipamentos como mochila e fogareiro. Perguntava com a inteligência e a perspicácia dos interessados, já vislumbrando suas próprias aventuras vindouras pelos recônditos mais remotos da Chapada Diamantina.
Desde ali nasceu meu interesse pelas fotos de Rui Rezende. Este empenho em revelar um ângulo novo, em buscar o inédito e um constante aprimoramento é uma das características mais marcantes de sua obra. Por inúmeras vezes, ao longo dos últimos dez anos, vi Rezende esquecer-se da fome ou do frio, para ficar prostrado longo tempo em uma posição incômoda esperando pela luz adequada ou por um rico detalhe, sem nunca esmorecer ou perder o humor. Caminhando pelo campo rupestre, ao final da tarde, para captar os tons púrpuros do crepúsculo ou escalando encostas montanhosas para chegar ao alto a tempo de flagrar o raiar da aurora, Rezende é dono de uma grande sensibilidade e energia inesgotável, que, muitas vezes, me fizeram redescobrir lugares que eu pensava conhecer bem. Porque em função da fotografia, ele esquadrinha todos os cantos possíveis, sempre descobrindo algo novo e inusitado, não medindo esforços para levar ao público um novo olhar sobre as coisas.
O resultado deste empenho é aqui apresentado e fala por si mesmo. Na famosa foto do Vaqueiro, com sua poderosa simbologia e dinamismo ou na placidez arrebatadora do Poço Azul por um ângulo inesperado, Rui sempre surpreende. Por caminhar muito e por lugares inóspitos, regularmente flagra os mais variados animais selvagens, tão fugazes aos olhos do visitante comum.
Ainda assim, por trás da beleza e profundidade destes instantâneos, há uma outra característica a princípio invisível da obra deste grande fotógrafo, que é o cunho social e ecológico do trabalho que desenvolve na Chapada Diamantina, o que o torna um divulgador cultural e um guardião de suas riquezas naturais. Sem dúvida, é hoje uma das pessoas que melhor conhece a Chapada e sua gente, tendo explorado a pé, de moto, em veículos 4x4 ou em sobrevôos, muito além das fronteiras do circuito turístico convencional, sendo querido pela gente e admirado pelos amigos, é bem recebido por todos os lugares onde passa.
Com o apoio incondicional de sua grande companheira Renata e do filho Cael, Rui nos brinda com uma breve amostra de sua capacidade e talento, trazendo-nos através de suas lentes a beleza selvagem da Chapada Diamantina e seus valores humanos.
Fernando Munaretto
Poesias Renata Rocha
Caatinga
Caatinga, cadê teu Deus?
Poeira, calor e sufoco
Teu pesado legado
Empresta ao vaqueiro
Ousadia para sobreviver
Desbravar os espinhos
Da aridez da terra
Caçar o boi fugido
Nas entranhas do mato,
Sobreviver cavalgando,
Porque viver não é preciso, Cavalgar é preciso.
Tórridas águas diamantinas
Ousei ficar desnuda
Do pudor natural da cidade
Ficando naturalmente nua
Despida dos medos e incertezas
Gritei a liberdade e o prazer
Chorei o desabafo contido
Gozei os muitos prazeres privados
Gritei e gritei como nunca e
Fui feliz como sempre,
Gostaria fosse a vida...
Vida sertaneja.
Seca, sal, sol, luta
Viver no mundo do nada angustia,
Mas, vida mateira no sertão, é ousadia
E do velho catingueiro forte até diria,
Nem sombra de qualquer melancolia,
Poesia como poeira,
Grande magia...
Queima a vida;
tua entranha viva,
de verde, cores e sons,
de ar leve e puro, grande esplendor,
toda a harmonia que tens.
Queima a esperança,
Do verde sempre vivo
Em labaredas ferozes,
De ódio e desprezo,
Pela vida que tens.
Oh, terra mãe,
Teus filhos incrédulos e inocentes,
Não queiramos pensar, sejam vis,
Perpetuam um mal corrente,
De ambicionar o metal,
Consumindo belo e precioso tesouro:
Da vida que dás.
Gaia, que haja tempo,
Para amarmos e recuperarmos,
A vida perdida, queimada e consumida,
Tão abandonada e esquecida,
Por sobrevivência que seja,
Valendo ao menos o medo,
De perdermos a vida que dás.
Crueldade mata o bicho,
Ambição mata a planta,
Menosprezo mata o rio,
Tanta vida desperdiçada,
Tanta harmonia mutilada,
Pelo fogo que destrói,
No céu da vida pura, faz-se inferno,
De calor e labaredas,
De terror e destruição,
Bota fogo, homem diabo,
Por dinheiro, grande ruindade,
Mata o bicho,
Mata a planta,
Mata tua vida
Teu próprio chão,
Tua sandice te destrói,
Tua burrice é vergonhosa,
Tua maldade tão espantosa,
Que mereces o mal que plantas,
Mal que a todos assola, muito embora,
E por isso a solução,
É mesmo o respeito e o cuidado,
Todo amor necessário,
Pela natureza mãe.
Renata Rocha
Mais informações
A exposição é composta com 67 fotos distribuídas nos tamanhos :
32 fotos 30cmX30cm (Flores silvestres, pássaros,borboletas)
04 fotos 110cmX 79cm (paisagens, cultura)
05 fotos 110cmX155cm (mosaico, foto aérea, cachoeira, Estrelas, paisagem)
06 fotos 60cmX60cm (cultura e gente)
20 fotos 55cmX79cm (aéreas,cachoeiras, paisagens, cultura, pinturas rupestres, fauna)
Das 20 fotos 55cmX79cm, a cada cidade, será modificado quatro imagens para valorizar o potencial local.
Exposição em Morro Do Chapéu |
23-05-2009 a 06-06-2009 |
Exposição em Mucugê |
13-06-2009 a 27-06-2009 |
Exposição em Lençóis |
04-07-2009 a 18-07-2009 |
Exposição em Piatã |
25-07-2009 a 01-08-2009 |
Exposição em Rio de Contas |
08-08-2009 a 22-08-2009 |
ruirezende@fotosdachapada.com
www.fotosdachapada.com
77 3412 2277
71 9953 1224
Rui Rezende.